É só uma teoria, mas dei comigo a pensar que ser mãe é basicamente como brincar às bonecas. É que é mesmo divertido! Ora vejamos, temos um Nenuco em tamanho real que não precisa de pilhas. Chora, ri e palra por sua iniciativa e não quando premimos o botão. Damos-lhe a papinha, mudamos a fraldinha e vestimos e despimos roupinhas muito giras para o embonecar. E é sempre entusiasmante porque nunca programamos o que vamos fazer a seguir, ele tem mesmo vontade própria, não se limita a estar ali de boca aberta e corpo estático com um som a vir-lhe de dentro "Mummy, mummy I love you".
Será, então, que o dito instinto maternal não passa de uma felicidade imensa de podermos retornar à infância, poder brincar às bonecas com esta idade, sem sermos recriminadas por isso? No fundo, as nossas fantasias de criança tomam forma real e aí, sim, sentimo-nos realizadas e felizes.
Não sei... Era só uma ideia...
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Por isso a nossa dimensão, Não é a vida, nem é a morte
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino
[Letra: Natália Correia; Música: José Mário Branco]
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Do sentimento trágico da vida
Não há revolta no homem
que se revolta calçado.
O que nele se revolta
é apenas um bocado
que dentro fica agarrado
à tábua da teoria.
Aquilo que nele mente
e parte em filosofia
é porventura a semente
do fruto que nele nasce
e a sede não lhe alivia.
Revolta é ter-se nascido
sem descobrir o sentido
do que nos há-de matar.
Rebeldia é o que põe
na nossa mão um punhal
para vibrar naquela morte
que nos mata devagar.
E só depois de informado
só depois de esclarecido
rebelde nu e deitado
ironia de saber
o que só então se sabe
e não se pode contar.
Natália Correia
que se revolta calçado.
O que nele se revolta
é apenas um bocado
que dentro fica agarrado
à tábua da teoria.
Aquilo que nele mente
e parte em filosofia
é porventura a semente
do fruto que nele nasce
e a sede não lhe alivia.
Revolta é ter-se nascido
sem descobrir o sentido
do que nos há-de matar.
Rebeldia é o que põe
na nossa mão um punhal
para vibrar naquela morte
que nos mata devagar.
E só depois de informado
só depois de esclarecido
rebelde nu e deitado
ironia de saber
o que só então se sabe
e não se pode contar.
Natália Correia
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
[...]
Não vinha a esta casa há já algum tempo. É curioso. Ela que me permite ser o que de mais verdadeiro existe em mim, tem-me afastado. Ao mesmo tempo. Não quero saber o que trago comigo de verdade? Não quero saber porque pode ser mentira? Não sei nada. Não quero saber é de nada. E este estado já não é de hoje. É mais fácil assim. Só que assim embargo a vida de outros que a querem seguir. Não deixo. Quero deixar, mas não deixo. Não quero deixar e, pouco a pouco, deixo. Lá vão eles. Lá vai ele, sem correr [porque quer ficar], mas a face está a tornar-se pesada. Vejo-o. Pediu-me já que o libertasse, que seja feita a minha vontade. Ama-me e, por isso, luta contra a necessidade de fugir para outro lugar. Amo-o e não sei dizer-lhe o que para nós será melhor. Dizia-me em tempos que o amor nem sempre é o bastante, fi-lo acreditar que sim. Devolve-me agora estas palavras e eu não sei o que hei-de fazer com elas. Que morra eu, se há-de morrer o amor.
A ouvir em repeat
Uma grande canção da Ópera do Falhado, obra do grande JP Simões e que muito gostaria ainda de ver. Aqui num tête-à-tête com Manuel João Vieira, não podiam estar melhor com fortes toques de um outro Chico, não se inpirasse a obra num outro Malandro.
A espreitar... Aqui neste sítio.
MJV - Isto é mais tipo Chico Buarque do que Tony de Matos, não é?
JPS - Chico de Matos.
Ninguém tinha planos
Aos 18 anos só tinha alucinações
Afeita toxinas
Narciso das esquinas
Das finas revoluções
De cabeça quente
Olhar insolente
Com fogo no ventre
A beber detergente com limão
Caiu nas linhas da palma da mão
Porque ardia a lua inteira
Lá à beira do portão
MNJ - Epá, tu lembras-te quando saltámos aquele camião pela rua abaixo e estava a passar a procissão?
JPS - Então não lembro, pá! O padre ficou entrevado, pá, coitado...
MJV - Bem feito! Então esse padre era um cabrão que andava lá a enrabar os putos da catequese!
JPS - Olha que isso de enrabar putos, pá, se bem me lembro tu também...
MJV - Isso é diferente, pá! Estava bêbado, isso é uma calúnia pá, isso é uma cabala!
JPS - Ah... cabala...!
Ninguém tinha dias
Só noites tardias
Vadias sem remissão
E a velha ansiedade
De incendiar cidades
E fugir na contramão
Pela madrugada
Amantes estafadas
Ainda contavam
Os sonhos medonhos e a aflição
De tantos medos sem explicação
Porque ardia a lua inteira
Lá à beira do portão
MJV - Ouve lá, não foste tu que te espetaste de carrinha contra a entrada da discoteca?
JPS - Olha que isso foi justiça poética! Então não te lembras que o cabrão do porteiro matou um puto à porrada? Então ris-te, ainda para mais...!
MJV - Os putos metem-se com quem não devem.
JPS - Eia... caralho, pá que fascista dum cabrão, pá! Fogo, tu tens futuro realmente...
MJV - Tu tens passado.
JPS - E eu tenho um passado do pior.
E crescia culto
Que o mal era adulto
Tal era o insulto
Do vulgo, do povo sem paixão
No desespero da evolução
Quando ardia a lua inteira
Lá à beira do portão
A espreitar... Aqui neste sítio.
MJV - Isto é mais tipo Chico Buarque do que Tony de Matos, não é?
JPS - Chico de Matos.
Ninguém tinha planos
Aos 18 anos só tinha alucinações
Afeita toxinas
Narciso das esquinas
Das finas revoluções
De cabeça quente
Olhar insolente
Com fogo no ventre
A beber detergente com limão
Caiu nas linhas da palma da mão
Porque ardia a lua inteira
Lá à beira do portão
MNJ - Epá, tu lembras-te quando saltámos aquele camião pela rua abaixo e estava a passar a procissão?
JPS - Então não lembro, pá! O padre ficou entrevado, pá, coitado...
MJV - Bem feito! Então esse padre era um cabrão que andava lá a enrabar os putos da catequese!
JPS - Olha que isso de enrabar putos, pá, se bem me lembro tu também...
MJV - Isso é diferente, pá! Estava bêbado, isso é uma calúnia pá, isso é uma cabala!
JPS - Ah... cabala...!
Ninguém tinha dias
Só noites tardias
Vadias sem remissão
E a velha ansiedade
De incendiar cidades
E fugir na contramão
Pela madrugada
Amantes estafadas
Ainda contavam
Os sonhos medonhos e a aflição
De tantos medos sem explicação
Porque ardia a lua inteira
Lá à beira do portão
MJV - Ouve lá, não foste tu que te espetaste de carrinha contra a entrada da discoteca?
JPS - Olha que isso foi justiça poética! Então não te lembras que o cabrão do porteiro matou um puto à porrada? Então ris-te, ainda para mais...!
MJV - Os putos metem-se com quem não devem.
JPS - Eia... caralho, pá que fascista dum cabrão, pá! Fogo, tu tens futuro realmente...
MJV - Tu tens passado.
JPS - E eu tenho um passado do pior.
E crescia culto
Que o mal era adulto
Tal era o insulto
Do vulgo, do povo sem paixão
No desespero da evolução
Quando ardia a lua inteira
Lá à beira do portão
domingo, 1 de novembro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Há que dizê-lo com frontalidade
Um dia destes deu uma reportagem na TV sobre os benefícios de se fazer o belo do xixi no duche, no sentido de poupar a água do autoclismo. Dizia a maltinha entrevistada que isso era nojento! "Alguma vez? Que horror! Vou agora fazer xixi enquanto tomo banho...!"
Eu apraz-me dizer como o outro "Quem nunca fez um xixi no duche que atire a primeira pedra". Quer dizer... fazê-lo no mar e nadar na própria mijadelazinha quentinha, até não está mal... mas no duche enquanto corre a água e vai tudo ralo abaixo já não!
Eu acho piada ao pudor das pessoas. A sério que acho. É tão medíocre e tão claro para o que de mais hipócrita há no íntimo de cada um, tão revelador face às coisas que realmente importam.
Eu apraz-me dizer como o outro "Quem nunca fez um xixi no duche que atire a primeira pedra". Quer dizer... fazê-lo no mar e nadar na própria mijadelazinha quentinha, até não está mal... mas no duche enquanto corre a água e vai tudo ralo abaixo já não!
Eu acho piada ao pudor das pessoas. A sério que acho. É tão medíocre e tão claro para o que de mais hipócrita há no íntimo de cada um, tão revelador face às coisas que realmente importam.
Já chegou!

Cá está ele. Escolhi o Miró.

O meu sling para transportar a baby girl, peitinho com peitinho, que é como se quer. Agora é que me vou pavonear em passeatas!
Fica aqui um obrigada à malta do Bebéboom pela atenção, amabilidade, paciência e rapidez.
Stand by
Paira uma dormência estranha, desconhecida. Apalpam-se, por isso mesmo, as reacções na sincera esperança de as saber ler correctamente e depois dar-lhes resposta. E que resposta? E para quando? O enevoado é ténue e o que parece pode não ser ou o que não é pode parecer. Daí a espera, que é mais seguro ficar no canto a observar até que tudo clareie e saibamos onde pisamos. Até porque, no fundo, é ensurdecedor o medo do irreversível, de não se voltar a alcançar aquilo que era. Tal e qual. E se assim for... como será? E querer-se-á? Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos, a espreitar atrás do sofá que o desfecho pode ser menos duro ao corpo que ao coração.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)
