domingo, 26 de julho de 2009
And the stars look very different today
Desde ontem que ando com esta na cabeça. Não me farto de a trautear. É bonita na voz do Bowie, mas tem outra magia aqui cantada pela Natalie Merchant! Não conhecia esta versão, mostrou-ma uma amiga um destes dias. Obrigada R. [O crescendo do 1min 17seg ao 1min 28seg é delicioso!]
sábado, 25 de julho de 2009
Máquina Fotográfica

É na câmara escura dos teus olhos
que se revela a água
água imagem
água nítida e fixa
água paisagem
boca nariz cabelos e cintura
terra sem nome
rosto sem figura
água móvel nos rios
parada nos retratos
água escorrida e pura
água viagem trânsito hiato.
Chego de longe. Venho em férias. Estou cansado.
Já suei o suor de oito séculos de mar
o tempo de onze meses de ordenado;
por isso, meu amor, viajo a nado
não por ser português mal empregado
mas por sofrer dos pés
e estar desidratado.
Chego. Mudo de fato. Calço a idade
que melhor quadra à minha solidão
e saio a procurar-te na cidade
contrastada violenta negativa
tu única sombra murmurada
única rua mal iluminada
única imagem desfocada e viva.
Moras aonde eu sei.
É na distância
onde chego de táxi.
Sou turista
com trinta e seis hipóteses no rolo;
venho ao teu miradoiro ver a vista
trago a minha tristeza a tiracolo.
Enquadro-te regulo-te disparo-te
revelo-te retoco-te repito-te
compro um frasco de tédio e um aparo
nas tuas costas ponho uma estampilha
e escrevo aos meus amigos que estão longe
charmant pays
the sun is shining
love.
Emendo-te rasuro-te preencho-te
assino-te destino-te comando-te
és o lugar concreto onde procuro
a noite de passagem o abrigo seguro
a hora de acordar que se diz ao porteiro
o tempo que não segue o tempo em que não duro
senão um dia inteiro.
Invento-te desbravo-te desvendo-te
surges letra por letra, película sonora,
do sendo à vogal do tema à consoante
sem presença no espaço sem diferença na hora.
És a rota da Índia o sarcasmo do vento
a cãibra do gajeiro o erro do sextante
o acaso a maré o mapa a descoberta
dum novo continente itinerante.
Ary dos Santos
Quero aqui agradecer

Ao Jorge. O cozinheiro aqui do Restô que, a bem dizer, me mima como tudo! Claro que se deve a este meu estado de graça irresistível quando chego a pedir um petit gateau a desejos. E é isto que ele me apresenta (este não é exactamente o original, é só para ficar a ideia) com toda a finesse, sim, que os olhos também comem. O que eu me deleito a saborear esta bomba de chocolate quente, dentro do bolo mole acompanhado de um sorbet de pêssego, com um piqueno topping de frutos silvestres, açúcar em pó e o raminho de hortelã. É todo um clímax de sabor que não conseguirei nunca expor em palavras. E viva o Jorge que é de Ponte de Sôr!
Na onda dos Discos Pedidos com dedicatória
Esta vai para a Adrianita, de volta ao México. Ela que me deu a conhecer Lila Downs.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Taquetinho ou lebas nu fucinho [1982]
Anteontem, o homem lá de casa, que conta com mais seis anitos do que eu, redescobriu hits da nossa música portuguesa que são o máximo. Entre outros, ficou-me este no ouvido. É dos 80's e é muito bom! Um sentido de humor à maneira e um teledisco do melhor. Desejo a todos um bom dia e boa música!
Gosto principalmente da seguinte passagem:
Cala essa boca
Não digas isso
Isso é pecado
Olhó teu pai
E o Jesus, fica zangado
"E o Jesus" é absolutamente sublime!
Gosto principalmente da seguinte passagem:
Cala essa boca
Não digas isso
Isso é pecado
Olhó teu pai
E o Jesus, fica zangado
"E o Jesus" é absolutamente sublime!
quinta-feira, 23 de julho de 2009
O meu secador de cabelo é mais inteligente do que eu!
Ora, esta manhã [manhã sim para lavar o cabelo], estava eu já vestidinha, puxei do secador, liguei-o à tomada, pus o botãozinho para cima [para baixo deita ar frio e eu não gosto] e zuuuuuuuuuuuuuuuuuuummmmm, iniciei a tarefa de secar esta meia dúzia de cabelitos mal plantados. Praticamente no mesmo segundo, lembrei-me que tenho uma cabeça malvada capaz de se esquecer de umas poucas de coisas por dia e peguei no telemóvel e: tecla do meio, números 1 e 0 [teclas de atalho para as Lembranças] e comecei a desfiar o que não podia esquecer de fazer hoje. Eis quando o secador faz pum! [baixinho, mas fez!] e pára de funcionar. Ora o que é que sucede? Esqueci-me por momentos que estava a secar o cabelo e, consequentemente, esqueci-me de manter o secador afastado da carapinha, apanhou-me o cabelinho e em vez de me deixar a cabeça em chamas, decidiu pifar, calou-se, foi ouvir o relato. É por isto que o meu secador é mais inteligente do que eu.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Auto-comiseração
Há pessoas que nos fazem mal só de estar perto. São tóxicas. Dissimuladas, vão largando o veneno até, sem percebermos porquê, não conseguirmos respirar mais. Querem o melhor para si, através do mal dos outros e enredam-se de estratagemas para o conseguir da forma mais cor-de-rosa possível. Tudo é perfeito à superfície e por dentro é de uma podridão que tresanda. Conseguem estimular-nos a sentir o que não queremos, a agir como não queremos e sempre em benefício próprio. São verdadeiros manipuladores de mentes e comportamentos. Comigo o extremo é a indiferença. Não puxo cabelos, não parto para a estalada, não discuto aos gritos e não lixo a vida a ninguém. Guardo para mim o que poderia aliviar sendo exteriorizado, mas que não vale mesmo a pena, não fará a mínima diferença, não mudará absolutamente nada. Continuo com a ideia estúpida – e mais cómoda, provavelmente – de que um sorriso é a melhor arma para quem não merece mais nada.
Outros, por sua vez, não valem o resto do peido furado. Cada vez me convenço mais que não há cá associativismos. Eu sou pelos encaixes. Ou há ou não há. O esforço para a inserção rindo da piadola seca ou conversando sobre o vestido da montra do shopping não me entra cá no sistema de sociabilidade. Muito menos quando anda por aí latente uma vontade mínima de trabalhar por parte desta, já apelidada, geração rebelde/morangos com açúcar. Querem horário limpinho das 9 às 5, preocupam-se com o ordenado ao final do mês, marcação de férias, subsídios e o resto que se foda. Horas extra? Naaa, não são pagos para isso. Mesmo que seja para ajudar outros colegas? Temos pena. Ninguém tem culpa. Como mexer o rabo é difícil e por orgulho se recusam a ver que há diferença de funções, lêem revistas, fazem-se de esquecidos ao que lhes é pedido, chegam a desobedecer ao que lhes foi indicado e têm tempo de sobra para enredos e intrigas. Essa sim é a sua função dominante, e para a qual têm já Doutoramento! Quando não há, inventam, se alguém lhes acena com cusquice fresca, mordem rapidamente o isco. Aí dá semanas e semanas de conversa, chatice, zangas, problemas, jogos, ilações do arco-da-velha… por uma merda sem jeito nenhum que nunca aconteceu, nunca foi verdade. São assim estas vidinhas. Não dão duas no português falado ou escrito pós curso profissional oferecido/novas oportunidades, acham-se donos e senhores dos seus direitos, não sabem o que são deveres e não estão muito ralados com isso. Até porque se a coisa der para o torto não têm propriamente família para sustentar, uma casa para manter, um curso para acabar, um objectivo de vida que seja. Moram com os pais, têm o seu namorado(a) e basta-lhes alguns trocos para as férias na Nazaré ou na Praia da Vieira, as leggings roxas ou um copo no Seven.
Não consigo. Não há encaixe. Não há encaixe. Reciclem-me esta gente!
Outros, por sua vez, não valem o resto do peido furado. Cada vez me convenço mais que não há cá associativismos. Eu sou pelos encaixes. Ou há ou não há. O esforço para a inserção rindo da piadola seca ou conversando sobre o vestido da montra do shopping não me entra cá no sistema de sociabilidade. Muito menos quando anda por aí latente uma vontade mínima de trabalhar por parte desta, já apelidada, geração rebelde/morangos com açúcar. Querem horário limpinho das 9 às 5, preocupam-se com o ordenado ao final do mês, marcação de férias, subsídios e o resto que se foda. Horas extra? Naaa, não são pagos para isso. Mesmo que seja para ajudar outros colegas? Temos pena. Ninguém tem culpa. Como mexer o rabo é difícil e por orgulho se recusam a ver que há diferença de funções, lêem revistas, fazem-se de esquecidos ao que lhes é pedido, chegam a desobedecer ao que lhes foi indicado e têm tempo de sobra para enredos e intrigas. Essa sim é a sua função dominante, e para a qual têm já Doutoramento! Quando não há, inventam, se alguém lhes acena com cusquice fresca, mordem rapidamente o isco. Aí dá semanas e semanas de conversa, chatice, zangas, problemas, jogos, ilações do arco-da-velha… por uma merda sem jeito nenhum que nunca aconteceu, nunca foi verdade. São assim estas vidinhas. Não dão duas no português falado ou escrito pós curso profissional oferecido/novas oportunidades, acham-se donos e senhores dos seus direitos, não sabem o que são deveres e não estão muito ralados com isso. Até porque se a coisa der para o torto não têm propriamente família para sustentar, uma casa para manter, um curso para acabar, um objectivo de vida que seja. Moram com os pais, têm o seu namorado(a) e basta-lhes alguns trocos para as férias na Nazaré ou na Praia da Vieira, as leggings roxas ou um copo no Seven.
Não consigo. Não há encaixe. Não há encaixe. Reciclem-me esta gente!
Copinho de leite não entra!
Parece que um dia destes é capaz de contracenar com a Julia Roberts, mas isso não é, mesmo, o que sobressai...
Benicio del Toro. E o nome diz tudo! [Um dos critérios era ter barba, mas este menino vale mesmo assim!]
[A ideia original era serem só os dois de cima e era o que bastava, diga-se! Mas vieram-me à memória os dois seguintes e não consegui evitar. Enjoy yourselves!]
Brad Pitt, em Babel. Nota 10!
Gael Garcia Bernal, de uma colheita mais recente, mas está aqui um rico menino!
No dia em que se comemora o quadragésimo aniversário da chegada do Homem à lua, uma homenagem? Nááááá! Um miminho, só.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Isto é muito bom!
Tenho dores fechadas em caixinhas
contra mim
contra ti
contra lá
contra os dias que passam a meu lado
Tenho dores fechadas em caixinhas
contra aqui
contra ali
contra cá
que me dizem estou aqui, estamos lá
Ah diz-me lá,
Ah diz-me aqui,
Oxalá, oxalá te veja ao meu lado ao pé de mim, ao pé de mim...
Tenho dores fechadas em caixinhas
contra mim
contra ti
contra lá
contra os dias que passam a meu lado
Tenho dores fechadas em caixinhas
contra aqui
contra ali
contra cá
mas que me dizem estou aqui, estamos lá...
Ah diz-me lá, Ah diz-me aqui,
Oxalá, oxalá te veja a meu lado ao pé de mim, ao pé de mim...
Ah oxalá te veja ao meu lado, ah oxalá te veja bem aqui,
Ai oxalá te veja a meu lado, ao pé de mim, ao pé de mim...
Glória à Hermínia, ao Marceneiro e tais fadistas
Glória à ginginha, ao medronho e à Revista
Glória!
Contra mim, contra ti, contra lá
Contra aqui, contra ali, contra lá
Contra mim, contra ti, contra lá
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