domingo, 6 de abril de 2008
É a Produção...
... quando na rua escura há uma despedida, se viram costas e, segundos depois, já afastados, as cabeças rodam e os olhares se reencontram ao mesmo tempo. Uma última vez. Para congelar a imagem.
Fragmentos dos dias #3
sol sono gelado corpos lunch time viagens arrogância hoje bonita dancemos no mundo sentir-te devoluções e se... eu... de repente... fluidos encontros inesperados trabalho bonés és especial quero mais do que isso, obrigada stressadinho vem-te calor mensagens rio mimo filmes quem era o jeitoso à tua procura ovulo amor almondegas olhar-te vinho tu alfama esta casa baldas rir por rir mudar cheiros crianças
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Feliz Primavera!
Aproveito as good vibes do sol e da chegada de uma das minhas estações do ano favoritas. Se a cabeça começar a fazer das suas e a fechar-me em pensamentos circulares que me sufocam, pouso-a sobre a mesa de trabalho, sussurro-lhe que descanse em paz por uns tempos e saio de fininho para um passeio sem destino. Na mala levo uma cuidada selecção musical, um livro de domingo à tarde, uma braçada de flores amarelas do quintal da vizinha, um lápis de carvão, um bloco de notas. Descanso o corpo na margem do rio. Ponho as pernas à chinês, fecho os olhos e respiro fundo, abandono o mundo à minha volta e revisito os anos que já lá vão, sorrio porque o balanço é positivo. Deixo-me viajar por terras que não conheço e reparo que não perdi a capacidade de me deslumbrar. Volto a sorrir. Páro no cimo da montanha mais alta e tenho um bocadinho de medo, medo de ter um coração eternamente viajante. Logo fujo destes pensamentos porque hoje resolvi dar-me umas tréguas. Aproximo-me do bloco de notas e esboço futuras primaveras. Avalio o resultado: não me saí nada mal! Continuo viagem, páro à beira-mar, dispo-me de convenções sociais, de preconceitos, tiro a roupa, mergulho e abro os olhos debaixo de água, volto a ser criança, sento-me de corpo molhado na areia, faço um castelo à minha maneira, espero duas ou três ondas para ver o que acontece, aproximam-se apenas, o castelo fica intacto... É bom sinal!
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Elixir solar
O sol da Primavera dá-me a energia de nenhum outro. Sinto um vigor radiante só possível pela tonalidade e intensidade desta luz. Até o calor que brota tem o grau certo e aconchega sem amolecer. Perfeita, esta estação! Depois tudo isto resulta na subtil impressão de que hoje até estou mais bonita. E quem não fica, sob esta claridade alaranjada de final de tarde e cabelos ao vento? Gosto deste ameno a dar para o quente…
Curtas [3]
Ninguém nos ensinou a usar nada do que recolhemos pelo caminho perto das ilusões, entre o amor e as razões perversas.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Sorrir ao final do dia
O olhar triste e o sorriso ficaram-me desde o primeiro dia que a vi. Assim. Apetece ficar a olhá-la eternamente, ouvi-la até se entranhar nos ouvidos em repeat. Emana uma luz, uma energia que nos transporta para as emoções que ela mesma sente e sentimos-lhe a música na pele. De tão pura, tão bonita, tão expressiva, tão única. Sem subterfúgios balança nas notas com a crueza ou a doçura impressas nas palavras, uma sinceridade e mágoa misturada com o mais genuíno gozo, que enamora. Ninguém canta histórias como ela.
Vou deitar e rolar + Aviso aos navegantes, Elis Regina
Vou deitar e rolar + Aviso aos navegantes, Elis Regina
Grão de areia feliz
Oscilo entre passeios flutuantes de algodão doce por tapetes de nuvens e o rastejar fatigado na terra escura, arenosa e esburacada. Falta-me encontrar as palavras enlameadas que restaram da enxurrada, mas depois descubro que não me apetece. No entretanto do cataclismo algumas surgem sujas, sem o encanto e perfeição que espelham. Preciso de as lavar, polir e beijar. Fazer-lhes jus à magnificência.
Deslumbro-me a cada dia pelo equilíbrio no meio do caos.
Deslumbro-me a cada dia pelo equilíbrio no meio do caos.
Boneca de trapos
Até as mantas de retalhos fazem mais sentido [O comprador até pode achar que cada quadradinho é atirado para ali sem rei-nem-roque, mas estou convencida de que há quem se encarregue de fazer os "estudos para uma manta de retalhos", como os pintores, por exemplo]. Ora, uma boneca de trapos à primeira vista é bonita, sempre de sorriso nos lábios, quase sempre em tons de cor-de-rosa bebé [que, por acaso, é uma cor que na maioria das vezes me dá náuseas de tão morta, mas ali joga bem] e um vestidinho de flores a lembrar a Primavera. Por dentro só os "engenheiros" as conhecem. Aqueles que de tão diabólicos ou, tão-só, interessados agem que nem faquires rasgando-as para conhecer o que lhes vai dentro. E a imagem pode ser aterradora: uma confusão de bocados de algodão ou esponja de vários tamanhos e cores, geralmente ásperos ao tacto, que sufocam de tão condensados para parecerem bem a quem lhes passa os olhos pela primeira vez ou muitas vezes mas que se fica sempre só pela superfície.
Quem disse que por dentro as pessoas não podem parecer-se com bonecas de trapos?
Quem disse que por dentro as pessoas não podem parecer-se com bonecas de trapos?
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