Se eu fosse a Margarida...
... preparava a mochila de campismo e passava o fim-de-semana na planície alentejana.
... corria nua à beira-mar e desentupia o nariz com água salgada.
... tinha uma filha e trazia-a abraçada a mim como as mães canguru.
... viajava até à América do Sul.
... escrevia romances numa casa de campo.
... viajava até ao Norte da Europa.
... tomava uma cerveja numa esplanada ao fim da tarde.
... juntava a família em minha casa e comíamos bolo de chocolate.
... vivia numa casa com vista para o mar.
... aqueles de quem gosto nunca iam desta para melhor.
... enchia a dispensa de doces...
Eh pá, se eu fosse a Margarida se calhar não estava para aqui a despejar baboseiras só porque sim...
sábado, 12 de abril de 2008
quarta-feira, 9 de abril de 2008
É esse teu cheiro...
... o culpado por querer ter-te junto a mim a toda a hora. Desde o primeiro minuto naquele balcão de madrugada veraneante a desafiar-nos para a partilha de cheiros, logo ali, sem preconceitos, palavras, toques ou beijos, apenas cheiros a imaginarem as sensações do corpo ao lado, do nosso corpo no corpo ao lado. Colados, calados. Atirar-me ao teu pescoço e sorver-te a essência até à última gota. Ver atordoarem-se os sentidos e viver assim nesta dormência suave. Tocarem à porta e saber que és tu, porque descubro o odor do teu corpo à distância. Porque mesmo antes de chegares te toco e abraço, num abraço quente que pede o calor do teu corpo mais e mais. Encontrar-te o cheiro no meu corpo e inspirar, inspirar até que se gaste e assim ter mais uma desculpa para te ter a meu lado esta noite. Noctívaga, vampira. Excita-me o cheiro de recantos inauditos e a ideia de cheiros mais intensos que se expelem com doçura e prazer. Excitas-me tu!
Então, de ti cuido eu...
Tão bom de ouvir!
Oh se fosse assim tão fácil... Sabes, porventura, o que é cuidar de mim? É cuidar de exigências mil, fruto de uma dose redobrada de insegurança e de outro tanto de incertezas do que será o dia de amanhã. É pisar a medo o terreno que se avizinha, tremer de cada vez que sinto o chão fugir, esconder-me, sozinha, comigo. Em silêncio. Cuidar de mim é rir também, porque eu até sou uma miúda divertida, é mimares-me por tudo e por nada e eu gostar, é não me mimares por uns segundos e eu reclamar a atenção. É olhar-te lá no fundo e sorrir e depois esconder o sorriso por não saber se seremos capazes, se serei capaz, se serás capaz. Ter-te dentro de mim e soltar uma gargalhada porque é bom! Fechar os olhos e ver-te a silhueta e o sorriso e as carícias que sinto mesmo quando não estás. Cuidar de mim é também cuidar do medo. Mas o importante é cuidar de nós.
Oh se fosse assim tão fácil... Sabes, porventura, o que é cuidar de mim? É cuidar de exigências mil, fruto de uma dose redobrada de insegurança e de outro tanto de incertezas do que será o dia de amanhã. É pisar a medo o terreno que se avizinha, tremer de cada vez que sinto o chão fugir, esconder-me, sozinha, comigo. Em silêncio. Cuidar de mim é rir também, porque eu até sou uma miúda divertida, é mimares-me por tudo e por nada e eu gostar, é não me mimares por uns segundos e eu reclamar a atenção. É olhar-te lá no fundo e sorrir e depois esconder o sorriso por não saber se seremos capazes, se serei capaz, se serás capaz. Ter-te dentro de mim e soltar uma gargalhada porque é bom! Fechar os olhos e ver-te a silhueta e o sorriso e as carícias que sinto mesmo quando não estás. Cuidar de mim é também cuidar do medo. Mas o importante é cuidar de nós.
Do que se diz por aí...
Volto à concha de onde, aliás, pouco tenho saído. De vez em quando experimento aventurar-me por aí, mas tropeço em mim a cada passo. Sou todo o peso do meu corpo e da minha alma juntos. Sufoco. Por breves momentos ofereço-me ar puro, encho os pulmões, sou uma pessoa nova. Digo olá ao sol, abraço as flores no caminho, deixo a música penetrar-me os sonhos. Estou de volta! Ilusão apenas. Porque eu fiquei lá atrás há uns tempos. Cada dia é só mais uma etapa nesta reconstrução incessante do eu. Tentando evitar aquelas imperfeições, conhecendo outras... dizem que viver é mesmo assim.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Espécie em vias de extinção
Homens com plena noção daquilo que valem e são sem auto-centralismos. Sem necessidade de o expor. Homens que reconhecem o valor de uma mulher sem a tomar como garantida. Sem receios de inferioridade.
Reset
Dor de cabeça. Dia de merda. Produtividade zero. Discursos de chacha. 200 euros de gás. "Minha senhora, por lapso não emitimos facturas até agora". 1 euro na chamada de esclarecimento. Médio do carro fundido. Inexistência de jantar. Cama no chão. Almoço fantasma. Neuras alheias. Paciência por um fio.
Montículo de cume arredondado
Os cumes dos meus amados montes já tiveram melhores dias. A ideia de alguém me chupar, sugar ou morder os mamilos leva-me rapidamente às lágrimas. Mais que intumescidos, sanguíneos, doridos e hipersensíveis castigam-me pela latente ineficiência parideira. Bem sei. Soltam pequenos resquícios epidérmicos em protesto e lamento, fazem um ar de coitadinhos e ainda se empinam a pedir atenção. Ficam erectos por dá cá aquela palha, num triste aceno de protagonismo e anseiam pelo toque, mesmo implicando dor.
Já lá vai algum tempo desde que constatei a autonomia do meu corpo. Inúmeras vezes se manifesta por livre iniciativa, sem esperar sinais ou ordens superiores. Tem vontade própria, sua excelência, capaz de ruborizar os mais incautos. Desde cedo aprendi a fazer cedências, a levá-lo com jeitinho, a desenvolver com ele uma relação diplomática, com algum… tacto, vá lá. Mas a este ponto de independência imperativa, nunca.
Já lá vai algum tempo desde que constatei a autonomia do meu corpo. Inúmeras vezes se manifesta por livre iniciativa, sem esperar sinais ou ordens superiores. Tem vontade própria, sua excelência, capaz de ruborizar os mais incautos. Desde cedo aprendi a fazer cedências, a levá-lo com jeitinho, a desenvolver com ele uma relação diplomática, com algum… tacto, vá lá. Mas a este ponto de independência imperativa, nunca.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Leituras
Sai um natural açucarado, por favor e esta noite relego o corpo ao chão, em penitência pelas indecências vespertinas. Inquieta-me a premonição destas linhas que eu não desenhei, por mim não decifradas e que só eu vivo. Por vezes irrita-me pensar que cada seu traço seja cada meu passo, outras vezes delicia-me que o sulco incisivo tenha definição minuciosa e por ele deslize a cumprir desígnios, na sublime extrapolação da vida. E vou, deixo-me ser conduzida, assisto ao rumo, assumo o papel de espectador activo, faço-o consciente e faço-o por puro prazer. Se assim me foi cravado na carne, feito estigma, não o vou rasurar. Nem quero. Antes me demoro no deslumbre da estória que supostamente me foi escrita e bebo sofregamente os pedaços de realidade que a corroboram. Ignoro desvios outrora percorridos, cuja função foi apenas orientar-me até à estrada de tijolos amarelos e ponho a saia mais bonita para o dia em que as linhas se intersectam. Entre suspiros aliviados de etapas fechadas concluo que é uma pena… que esta chuva, o vento e o frio pediam calor do outro lado do lençol.
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