terça-feira, 15 de abril de 2008

1234 tell me that you love me more


1234, Feist

Cavalheirismos

Acho que sim. Até porque se aquilo não é uma peruca vou ali e já venho. A Nandinha que não se achaque que todos sabemos que ao Zé lhe calha que nem ginjas. Pois bem que seja competente e ideal para a tarefa, mas não me venham com cantilenas pseudo defensoras dos direitos no feminino. “Coitadinha está a ser injustiçada porque é amantizada com o nosso Primeiro, logo ela que é tão discreta…” Mas é impressão minha ou anda tudo parvo? Parece-me que estas justificações, bem desembrulhadinhas, têm pouco de paritárias e mais de sexistas. É obvio que, como em tudo, existem interesses sub-reptícios que folgariam em ter tal senhora em tal poiso e inclusive lhe deram a mãozinha cavalheirescamente para ajudar a alçar a perna. Na sociedade actual a mulher desempenha, de facto, vários papéis em simultâneo e fá-lo, por vezes, com maior eficácia que o homem, mas não assobiemos para ao lado quando é claro que certos papéis se chocam. E isto vale para homens e mulheres. Porque não o assumimos de uma vez por todas e nos deixamos de paninhos quentes disfarçados em vozes supostamente plurais? Claro que o acenar ridículo da questão pela oposição diminui em grande parte a pertinência da mesma, ainda assim, a meu ver, as reacções não elevam a contenda.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A casa quieta...

O caminho mais longo para casa. Vou olhando para trás para ver se lá vens e que, afinal, não fechaste a porta enquanto ainda te esperava. A cada esquina olho em redor, é que podes estar lá escondido para me fazeres uma surpresa. Telefone sem bateria, se calhar já me mandou uma mensagem... Faço um sprint até à paragem para ir no mesmo autocarro que tu. Sim, porque no meu imaginário tu vais lá estar hoje comigo. Procuro entre as cabeças dos passageiros, descobrir a tua. Não estás. Então, saio uma paragem antes e corro até casa na esperança de que lá estejas à porta a sorrir. Nada. Arrasto-me escadas acima. Abro a porta, entro e fico à espera que entres logo depois de mim como costumavas fazer. Mas não se vê ninguém. Vou até ao quarto. A casa quieta. Foi-se a alegria. Corro para ver se usaste outra tecnologia para me falar. Não tem mensagens novas! O raio! Isto deve estar com problemas, penso. Volto a abrir a caixa. Continua sem novidades. Falo-te sem ouvir a tua voz. Respondes-me da mesma maneira. Derrotista. Mas eu não estou melhor sem ti...

Com amor...

Gabas a minha força. Dou-te parte dela para juntos construirmos um castelo.
Gabas-me o sorriso que trago [quase sempre] nos lábios. Ofereço-to, para mo devolveres e eu voltar a dar-to e tu a mim.
Duvidas. Eu uso da força e faço-te acreditar.
Acreditas. Juntos podemos acreditar ainda mais.
Abraças-me. Abraço-te ainda mais forte para que saibas que estou aqui. Sempre foi assim...
Lês-me. Lês-me e descobres que não vim para te salvar, porque isso tem que vir de ti. Mas vim para te ver sorrir, para te fazer feliz.
Faz tempo que fechaste a porta. Abri eu uma janela para respirares melhor. Porque não a deixas aberta por mais tempo, se tens sentido o ar entrar feito brisa a tornar-te mais leves os passos?
Pergunto-te. Responde-me...

Não morreste, adormeceste. E tenho-te acordado lentamente. Com amor.

[...]

Perdoem-me os mais sensíveis a expressão, mas é fodido não saber lidar com as emoções de outra forma senão ficando com o corpo todo empedernido. Movimentos controlados por uma terrível dormência, ombros tensos, peito apertado como se alguém nos esmagasse contra uma parede. Cada passo, um tormento porque se adivinha a caminhada para o fim. Triste, antecipado, desolador. Quem não se sente não é filho de boa gente! Está bem, mas era escusado ser desta maneira.

Cabeça pesada de tantas voltas dar na esperança de uma ideia brilhante, de tanto procurar encontrar formas de te alegrar, de te fazer viver [o próximo fim-de-semana pelos Alentejos, por exemplo], de querer ser aquilo de que precisas... De tão cheia, trago a cabeça vazia, os pensamentos são contraditórios, embora o sentimento se mantenha.
Minutos contados para te falar, horas intermináveis até poder fazê-lo. Impotência. Vontade louca, as melhores intenções. Mas impotente. Abraço-te com o imaginário. Não te preocupes, só te abraço.

Que é de ti a tentares o caminho a meu lado? Que é feito de pequenos sonhos que tivemos tempo apenas para sonhar? Que é feito daquele que tem estado comigo? Não é mais o mesmo. Perdi-o. Perdeu-se. E não quer deixar-se encontrar.

Apesar de o amor ser um lugar estranho...

Nunca ouvimos dizer o contrário. Nunca ninguém nos enganou e disse que o amor é só feito de coisas bonitas, que sossegam. O amor também dói e faz sofrer. Quando se vai, leva com ele a força, o brilho, a vontade de viver. E sentimos o mundo pesado nas costas. Vergamo-nos ao sofrimento, vivemos só por viver. Mas, descansemos. Logo vem outro amor que, não tentando ser nem parecer o que foi o anterior e, menos ainda, querendo que o façam passar por alguém que esteve e já partiu, oferece o mais que pode. Por um sorriso. Nessa altura, podemos optar por uma de duas coisas: prolongar a "cinzentice" e cavar cada vez mais fundo o buraco deixado [para ver se chegamos à Austrália, desculpem-me a piadola, mas alguém tinha que aliviar este negrume] ou aceitar que a vida está a oferecer-nos outra oportunidade e que um coração que se obriga a não sentir não demora a tornar-se pedra. Quanto a mim, tenho sempre optado por esta última e, quando menos espero, alguém partilha comigo a sua pedra preciosa. Lentamente, depois do devido luto, aprendo a aceitá-la e o céu torna a ser azul e as flores têm as cores mais bonitas. Respiro de alívio: a vida a preto e branco, só no ecrã. E não é sempre...

domingo, 13 de abril de 2008

Para ti. Porque te gosto...

"Dá-me a tua mão.

Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
- para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.

Dá-me a tua mão companheira,
até ao Abismo da Ternura Derradeira."

(José Gomes Ferreira)

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"Viver não é parar: é continuamente renascer. As cinzas não aquecem; as águas estagnadas cheiram mal." (Florbela Espanca, Diário - 12 de Dezembro)

Nós, por cá

Mensagens, ideias, sinais e mais mensagens. Num só dia. E tudo gira em torno de um único conceito: o amor.

Porque não lutamos pelo amor. Porque o amor nos mata. Porque caduca. Porque é inconsequente, porque é rebelde, porque é inconstante. O amor que hoje se gasta, salta avidamente para outro colo, aleatório, e lambuza-se sôfrego para amanhã se voltar a esgotar. E volta a saltar. E nada nos garante que o esforço do pulo valha a pena, porque depois sossega. Nada.

De olhos vendados segue a marcha. “E como o riso vem ao ventre, assim veio de repente uma criança” e a casa enche-se de luz, de alegria e é tão bom de saber! Vive-se o espasmo com ardor, relembrando gestos da criança que também fomos, nas tardes em que dávamos biberão às bonecas. Agora que partilhamos a medo o maior passo de sempre, entre lágrimas e risos alternados, que não sabem a sua função. Porque tudo é novo, porque tudo é mágico. E agora é a sério.

O amor dói. Aponta-nos o gume da faca quando o largamos e persegue-nos para sempre. Não perdoa por mais que o aparente. É varinha de condão para os mais belos encantamentos e as mais terríveis maldições. Impele-nos à loucura, ao risco. Joga e brinca com os nossos destinos de meros transeuntes.

Joga em casa, sofre horrores

E a modos que é assim, mais vale render-me. Olhos negros até à alma, desejo incontrolável por chocolate - momento ideal para experimentar aquele das bolhas, pela primeira vez a publicidade influenciou-me -, sentimentalóide até mais não e sonhos de gravidezes - não falha, "sua inútil" digo de mim para mim.

Embrenho-me a fundo nestes episódios mensais, indago acerca da curiosa semelhança com o panorama desportivo.

O Boletim Meteorológico [3]

Desencontros.
Como o tempo.
O sol volta a esconder-se.
Eu a pensar que ia ver o pôr-do-sol do cimo de um castelo: levas a miúda e é um espectáculo lindo!
Já não percebo nada.
Sorriso aberto, verdadeiro. Ontem. Daqueles que não temem, acreditam.
Golpe inesperado. Não vai a lado nenhum. Não me ouviste isso, nunca!
Aterroriza-te o medo de o coração te passar a perna e se entregar aventureiro.
Foges, por isso. Medroso. Egoísta.
Era tarde. Tarde não posso ficar, além de que não é razão para duvidares.
Porventura, terás outras. Tens outras. Temos outras.
Disse-te: senti-te tão meu e eu tão tua, que a surpresa me cegou e impediu o sono descansado.
Sonhei contigo.
Aceitei sempre o desafio de cuidar dos teus medos. Com carinho. Cuidei deles com ternura.
Agora preciso eu da tua ajuda. Então, de ti cuido eu! Sim? Quando? Conversa...
Não vamos perder mais tempo. Não é bonito pôres a nossa construção nesses termos. Mas que posso fazer? Sempre que negaste, tentei. Com um brilhozinho nos olhos.
Precisava eu agora que me amparasses o passo. Me secasses as lágrimas que têm direito a cair. Me serenasses o coração quando me quer saltar boca fora.
Tu foges. Gosto de ti mas não dá... Desculpa. Outra vez?Acho que perdi as forças...
Voltamos a ser como dois amantes de olhos vendados.
Desculpa-me por gostar muito de ti. Mas nem sempre sou capaz de ser a fonte que jorra força suficiente para nos alimentar aos dois... Mas esta sou eu. Nunca to escondi.