sexta-feira, 25 de abril de 2008
34 anos depois
Que seja cliché, que seja previsível e banal. É bonito demais para não se evocar, relembrar e ouvir esta força que às vezes nos falta.
Amanhã lá estarei. Na marcha para não esquecer o que, graças a tais vozes, não vivi.
É de murta e de mar a tua voz
Com algas de canção estrangulada.
Aberta a concha da trova malsofrida
Saíste como sai a madrugada
Da noite, virginal e humedecida.
É de vinho e de pinho a tua voz
Com pranto de insofríveis flores banidas.
Mas é pela tua garganta que soltamos
As eriçadas aves proibidas
Que no muro do medo desenhamos.
Zeca Afonso: trovador da voz d'ouro insubmisso, Natália Correia
Amanhã lá estarei. Na marcha para não esquecer o que, graças a tais vozes, não vivi.
É de murta e de mar a tua voz
Com algas de canção estrangulada.
Aberta a concha da trova malsofrida
Saíste como sai a madrugada
Da noite, virginal e humedecida.
É de vinho e de pinho a tua voz
Com pranto de insofríveis flores banidas.
Mas é pela tua garganta que soltamos
As eriçadas aves proibidas
Que no muro do medo desenhamos.
Zeca Afonso: trovador da voz d'ouro insubmisso, Natália Correia
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Conceber Vida
Teardrop, Massive Attack
Para as mulheres que me rodeiam que cerraram os dentes e gritaram num último esforço de expulsão, para as mulheres que me rodeiam cujos ventres pulsam uma energia nunca antes sentida, para as mulheres que me rodeiam que desejam, sonham, precisam ceder o colo.
Porque absorvo todas e cada uma como parte de mim.
Certidão de Óbito
Quando morre o amor? Quando lhe declaramos o óbito, lhe sentenciamos o fim? Quais os sinais vitais que deve perder para que o oficializemos? Não há mesmo hipótese de reanimação?
E regras/modelos/fórmulas para tudo isto... será que há?
E regras/modelos/fórmulas para tudo isto... será que há?
domingo, 20 de abril de 2008
Contrastes
Hoje o dia esteve especialmente brilhante. Não sei se pela luz forte do sol a espelhar o chão molhado; se pelas gotas nas folhas das árvores mais verdes contra o cinzento e branco do céu; se pelas cores vivas do arco-íris; se pela luz da lua cheia que até atrás das nuvens me iluminou o caminho.
Só os meus pensamentos permaneceram baços e tristes. Candeia nenhuma os clareou.
Ouvia hoje o José Mário Branco dizer, a propósito de paralelismos com outros Abris, que vivemos com os punhos cerrados, mas dentro dos bolsos. Há mesmo brilhos que espelham...
Parabéns.
sábado, 19 de abril de 2008
Despertares
"Possivelmente, o amor continua a chamar-nos do centro do labirinto e nós andamos às voltas sem sermos capazes de o encontrar. Porque o labirinto não é um jogo: é a defesa mágica dum centro, duma significação, e talvez seja necessário despojarmo-nos de muitas coisas e tornarmos a vestir as vestes da inocência para que o amor nos possa ser revelado. É à volta do amor que as grandes literaturas têm dado o seu melhor mas não estou a escrever isto para ver se entro, ainda que humildemente, nessa plêiade tão gloriosa. Não é nada disso. Acontece é que em certos momentos sinto que uma indomável força me obriga a tentar descobrir o que não sei ainda o que é: qualquer coisa que fica entre a procura do mapa do tesouro e a receita do filtro que nos livrará da morte. Estou certo de que os indícios andam dispersos pelo mundo, mas, ao mesmo tempo, desconfio que esses segredos são capazes de estar escondidos debaixo duma pedra do nosso jardim, ali mesmo, ao alcance da nossa mão. É ainda essa irresistível procura que me tem levado, às vezes sem eu saber, para os braços de uma mulher. Diz a sabedoria tântrica que toda a mulher nua incarna a natureza - a Prakriti - Natureza-Mãe que é necessário solarizar para que a junção do Sol e da Lua regresse ao estado primordial de indiferenciação. Não se trata da dualidade, mas de, com a ajuda da mulher, despertarmos a mulher adormecida que temos dentro de nós. Porque nós não nos pomos no lugar do outro: temos é que descobrir o que o outro acorda em nós."
(O Riso de Deus, António Alçada Baptista) [bold acrescentado]
(O Riso de Deus, António Alçada Baptista) [bold acrescentado]
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Andar às vozes
Porque hoje foi o dia mundial da voz, apetece-me honrá-la. Porque dela me saem dois dos maiores prazeres que tenho na vida: o riso e a cantiga. Salvé as cordas vocais! Amen. Esta noite assim foi a homenagem, piadola regada a tinto e motes musicais na ponta da língua a relembrar velhos tempos, quando ficamos mais leves depois da densidade marasmática de dias mecânicos.
Por outro lado apraz-me, a propósito, dizer que, das vozes que oiço pela manhã, há duas que me fazem espécie, daquela estação que começa com "r", termina em "m" e pelo meio tem "f". Alguém podia dizer aos senhores que os risos e piadas são claramente forçados e não precisamos da maravilha do ecrã para perceber que estão a debitar discursos previamente preparados, que não surtem acordares frescos e fofos nos senhores ouvintes. Digo eu...
Por outro lado apraz-me, a propósito, dizer que, das vozes que oiço pela manhã, há duas que me fazem espécie, daquela estação que começa com "r", termina em "m" e pelo meio tem "f". Alguém podia dizer aos senhores que os risos e piadas são claramente forçados e não precisamos da maravilha do ecrã para perceber que estão a debitar discursos previamente preparados, que não surtem acordares frescos e fofos nos senhores ouvintes. Digo eu...
Dicas
O melhor é dormir sobre o assunto. Mas para o lado certo! A ver...
Hoje ofereço a palavra confiança.
Hoje ofereço a palavra confiança.
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