quarta-feira, 30 de abril de 2008
terça-feira, 29 de abril de 2008
Ditos de um arrumador de carros
"Rais' parta' o verão, que nunca mais cai a noite!". Susceptível de várias interpretações. Eu cá acho que ele, como os não sei quantos milhões por esse mundo fora, vive os dias à espera que cheguem as noites para se recolher na sua falta de luz e deixar falar os fantasmas sem que outros possam ser testemunhas.
Curtas [5]
No rame-rame dos dias eis que nos surgem rasgos de lucidez e (clari)vidência. E 1+1 são 3... As pernas tremelicam, o coração fica pequenino e o peito apertado, os olhos enchem-se de lágrimas pela constatação, ainda que só na nossa cabeça, da contemporaneidade de dois dos três peões em jogo.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Aproveita agora para viveres um bocadinho!
O mais das vezes, parecemos uma. Mas somos diferentes. Cada uma cumpre o seu ofício que, de vez em quando, custa caro à outra pela dificuldade que tem em perceber escolhas feitas e aquelas que, justificadas por valores sérios mas um tanto ou quanto exagerados, não se fizeram. O que mais queria era que te libertasses dessas amarras tontas que te prendem a promessas antigas e começasses a viver a vida que, longe de estar gasta, vai já longa, tanto mais quanto a vives dentro desse casulo cheio de "rodriguinhos" para não magoar outros.
Custam-me caro algumas das opções que faço e também tenho medo, mas nem por isso deixo de fazê-las, porque me dão sal à vida. Amargam-me a boca aqui e ali, mas fazem-me sentido pelas alegrias que, também aqui e ali, me trazem. Não fazê-las é abandonar a vida à sua própria sorte, por isso, ao contrário do que pensas não são pragmáticas, mas carregadas de subjectividade.
Custa ir descobrindo a essência. Dói e fere, mas apazigua mais do que podes imaginar porque passas de espectadora a personagem principal, a narrador presente, a primeira pessoa do singular ao invés de viveres envolta num nós que, como bem sabes, nem sempre existe.
"(...) não me sentia um intruso no meio daquela intimidade toda e começava a pensar que um destino bom me fazia participar de coisas dessas, de conversas de alma que me revelavam quando é possível recortar um pequeno espaço e fazer ali um outro mundo só porque deixámos soltar outras linguagens e outros sentimentos." (O riso de Deus, António Alçada Baptista)
Custam-me caro algumas das opções que faço e também tenho medo, mas nem por isso deixo de fazê-las, porque me dão sal à vida. Amargam-me a boca aqui e ali, mas fazem-me sentido pelas alegrias que, também aqui e ali, me trazem. Não fazê-las é abandonar a vida à sua própria sorte, por isso, ao contrário do que pensas não são pragmáticas, mas carregadas de subjectividade.
Custa ir descobrindo a essência. Dói e fere, mas apazigua mais do que podes imaginar porque passas de espectadora a personagem principal, a narrador presente, a primeira pessoa do singular ao invés de viveres envolta num nós que, como bem sabes, nem sempre existe.
"(...) não me sentia um intruso no meio daquela intimidade toda e começava a pensar que um destino bom me fazia participar de coisas dessas, de conversas de alma que me revelavam quando é possível recortar um pequeno espaço e fazer ali um outro mundo só porque deixámos soltar outras linguagens e outros sentimentos." (O riso de Deus, António Alçada Baptista)
domingo, 27 de abril de 2008
A sombra do vento
Genes
Não sou muito dada a apegos familiares. Nunca fui. Mas há situações por demais evidentes às quais me rendo, perante certas palavras, risos ou reacções alheias que me espelham. É impressionante como me saltam expressões da boca exactamente com a mesma entoação da minha avó, como cozinho e despacho as tarefas com a mesma rapidez desenrascada da minha tia, como rio das mesmas piadas e das histórias contadas “daquela” maneira. E quando nos rimos revisitamos uma vida inteira de cumplicidades, de códigos que nos imprimiram na pele anos a fio, de geração em geração, que nos fazem reunir à volta do mesmo cozido à portuguesa, com os enchidos trazidos lá da terra alentejana. O avô não bebe outro vinho que não tinto e o tio mói o juízo do sobrinho pelo novo piercing e tece normas infalíveis para garantir mulherio pelo beiço. As couves servem-se na travessa verde e filhos e netos gozam o prato com as recentes saídas ao bailarico dos pais e avós.
Às vezes esqueço-me desse meu lado que lhes pertence. Mais solto, mais directo, mais simples, mais divertido, mais lascivo, mais… da origem. De dizer “na sê da nha tia”, de beber café das velhas, de me estatelar ao sol no quintal e meter conversa com os vizinhos, de sair com uma notita no bolso. E a verdade é que tudo isso me faz falta, porque me reconheço naquelas pessoas e o sentimento de pertença traz uma segurança que sabe bem, que remete para outros tempos vazios de problemas, responsabilidades, defeitos, zangas e intrigas que têm todas as famílias. Melhor ainda porque, apesar da frequência ser menor, a essência se mantém e porque com o tempo fomos aprendendo a sarar as feridas das perdas que doeram. Muito.
Às vezes esqueço-me desse meu lado que lhes pertence. Mais solto, mais directo, mais simples, mais divertido, mais lascivo, mais… da origem. De dizer “na sê da nha tia”, de beber café das velhas, de me estatelar ao sol no quintal e meter conversa com os vizinhos, de sair com uma notita no bolso. E a verdade é que tudo isso me faz falta, porque me reconheço naquelas pessoas e o sentimento de pertença traz uma segurança que sabe bem, que remete para outros tempos vazios de problemas, responsabilidades, defeitos, zangas e intrigas que têm todas as famílias. Melhor ainda porque, apesar da frequência ser menor, a essência se mantém e porque com o tempo fomos aprendendo a sarar as feridas das perdas que doeram. Muito.
sábado, 26 de abril de 2008
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Dicas [2]
Procura a melhor sombra debaixo da árvore mais bonita. Senta-te. Tira os sapatos e balança os dedinhos dos pés. Recosta-te no grande tronco que por agora será a tua casa. Respira fundo e sorri porque és feliz. Abre a Invenção do Amor do Daniel Filipe. Lê-a. E delicia-te. Apaixona-te.
Outras leituras a 25/04
A poesia está na rua, Vieira da Silva
Militante assumida do querer saber quem sou e o que faço aqui, partilho da causa do conhecer o Eu em liberdade. Porque hoje posso. Podemos. Revelar as cores dos sentidos, das sensações, os sabores das opiniões, as texturas várias de uma vida que se vive das escolhas que se fazem. A cada dia. Livremente. Obrigada!
Subscrever:
Mensagens (Atom)



