terça-feira, 30 de junho de 2009
Coisas de homens
Podia escrever uma lista interminável de "coisas de homens", mas no momento só uma me vem à cabeça. Acabei de tentar a proeza de passar uma boa meia hora na casa de banho perdida em leituras. Levei O Sono do Monstro do Bilal, que tinham acabado de me sugerir, e pensei "É desta, é desta que vou ser capaz!". Não demorei 15 segundos dentro do cubículo. Foi o tempo suficiente para me dar conta de que é uma das coisas mais incríveis que eles fazem: folhear, no caso, 70 páginas de um livro de banda desenhada, repito, banda desenhada [não basta ler, é preciso estar atento às ilustrações], enquanto fazem a necessidade fisiológica 2 que os demora, talvez, até à 5.ª página, vá, e permanecem sentadinhos nas restantes 65 a deixar incrustar na pele uma das matérias mais mal-cheirosas. Deve ser das poucas vezes em que, mesmo que por breves segundos, são capazes de fazer mais do que uma coisa ao mesmo tempo.
Uma dona de casa exemplar II
Uma dona de casa exemplar é uma mocinha que vai toda lampeira, depois de horas a passar a ferro, triturar morangos com a batedeira e que só depois de ter a cozinha toda pintalgada de vermelhinho se lembra que triturar é com a trituradora [varinha mágica ou 1, 2, 3, vá] e nunca com a batedeira. Ficou espantado e perguntou-se "Onde é que eu fui desencantar esta miúda?!" Não foi por falta de aviso...
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Uma dona de casa exemplar
Vou passar a ferro.
Preferia escrever horas sem fim, mas ainda não consigo essa proeza, nem sou capaz de me sentar disciplinada a escrever e apagar e a rasgar folhas e a reescrever tudo outra vez e a fazer colagens das folhas rasgadas... Fico triste, mas nunca me soube muito forte no que respeita à auto-disciplina e ao auto-controlo. Quem sabe quando trabalhar na livraria e, envolta em livros, me fechar na sala do fundo a tricotar palavras que, espero, me façam sorrir.
Bof... mas por agora vou montar a tábua e fingir que me ajeito e, principalmente, que gosto das lides domésticas.
Preferia escrever horas sem fim, mas ainda não consigo essa proeza, nem sou capaz de me sentar disciplinada a escrever e apagar e a rasgar folhas e a reescrever tudo outra vez e a fazer colagens das folhas rasgadas... Fico triste, mas nunca me soube muito forte no que respeita à auto-disciplina e ao auto-controlo. Quem sabe quando trabalhar na livraria e, envolta em livros, me fechar na sala do fundo a tricotar palavras que, espero, me façam sorrir.
Bof... mas por agora vou montar a tábua e fingir que me ajeito e, principalmente, que gosto das lides domésticas.
Flor
"Meu bem
meu menino
me dê o seu sorriso
a sua gargalhada escancarada
me empreste seus pés morenos
Coberto de sol
veloz sobre o areal
em corrida descalça, descarada
rei da praia
herói sem igual
Me devolva meu côco
seu moleque bonitinho
me dê sua bochecha
para eu lhe pôr um beijinho
beijinho
Não ria de mim, ria para mim
- Quer comer?
- Quero! Farofa com arroz, batata com feijão! Vai jiboiar três dia inteirinho
Meu bem
meu menino
me dê o seu sorriso
essa sua risada encantada
seus saltos mortais salgados
Porta-voz bandeira
liberdade geral
fio de areia voando sem parar
rei da praia veloz e sem mal, sem mal
Não ria de mim [não ria de mim]
Ria para mim [só para mim, só para mim]
Tu vai inté à cidade
eu vou também
tu vai com a praia
eu vou com ninguém
quem chegar primeiro
tens direito a um pedido
tu quer uma flor
eu quero um vestido"
Flor, Maria João & Mário Laginha feat. Lenine
A música é linda e o teledisco, delicioso!
Sexta-feira
Dia tranquilo entre frutinha e bolachas enquanto dávamos uma mãozinha à professora-mãe neste final de ano lectivo. Mais tarde, alguma moleza trazia a vontade de ficar por casa, a borregar, mas um final de tarde para caracolar e sardinhar estava já combinado e a combinados destes ninguém deve faltar. Rumámos ao Camões, que estava no mesmo sítio, os camaradas do petisco é que não. Lá os encontrámos e acabámos por ser 10. Aviámos umas quantas ainda antes das 21h30, hora em que as barrigas começaram a dar horas e a prudência mandou forrar o estômago. Jantámos mais ao lado [o outro estava cheio] e a sagrada refeição foi, como manda a tradição, sempre bem regada. Rumámos, pois, ao Bairro com bossa-nova, descemos à Bica em conversas animadas e com o corpo a pedir uma musiquinha dançável, descemos mais um pouco eram talvez 2h, virámos à esquerda como quem vai para coiso e tal, depois à direita, passámos debaixo do arco e pumbas! Jamaica com eles até à hora da valsa. Já de manhã, entrámos na porta ao lado e voltámos à Europa. 8h30 e... pá! Se calhar está na hora de irmos. Não contentes ainda fomos dar-nos a fumos lá a casa. 9h30 e rendi-me aos estragos. 3h da tarde acordo e durante um bom par de horas desejei ardentemente ser o cavaleiro sem cabeça. O dia soou como V. Exas. podem imaginar. Ainda assim, foi muito bom! Temos que repetir, camaradas!
Quinta-feira
Saiu de cena ontem mas, ao que parece, vão repôr lá para Outubro. Experimentem assistir a Querida Professora Helena Serguéiévna, vale a pena! Uma história de chantagem e de questionamento da capacidade de resistência da Querida Professora às teias discursivas e de pensamento de um grupo de alunos. É de aplaudir de pé!
sábado, 27 de junho de 2009
O poeta é um sofredor

"No teu deserto" tem 128 páginas e segundo o escritor é "quase um diário de viagem" ou "quase um romance de amor". Foi um livro que escreveu "essencialmente pelo muito prazer de escrever" e que lhe causou menos sofrimento do que a escrita dos livros anteriores.
Sempre achei uma certa piada a esta ideia dos escritores que sofrem imenso para escrever um livro. Parece que fica bem dizer isto, dá ideia de um ser altruísta que se prejudica para o bem dos outros. É duro o processo de escrita mas elevará a plebe. Que presunção! Quem escreve tem que escrever por gosto ou, pelo menos, por algum bem que isso lhe traga – nem que pelo tal exorcismo de inquietações e dores. Claro que escrever sobre certos temas é obrigarmo-nos a pensar neles, revivê-los para os saber descrever o melhor possível, principalmente os mais difíceis, mais dolorosos. Mas até neste sofrimento existe libertação, a sua consciência e vontade. Consoante esses mesmos temas e o modo como são escritos temos, nós leitores, mais ou menos prazer em ler as suas palavras. Sem dúvida que podem ser de tal forma poderosas que conseguem mudar vidas ou concepções do mundo, mas essa mesma importância a essas mesmas palavras é atribuída por quem as lê, não pelo escritor. Irritam-me estas expressões de pura altivez, como se soubessem do poder que podem exercer e o proclamassem donos e senhores de destinos alheios. Não me agrada de todo, cheira-me a cenário emproado ou a laivos de diário de adolescente. Não sei… desconstrói-me o conceito que eu quero de livro.
Blá, blá, blá
Se há coisa que tenho vindo a reparar ultimamente é em pessoas que nos abordam com a conversinha mecanizada do costume e não estão minimamente interessadas na resposta. Lá vêm a perguntar se está tudo bem, e o trabalho e a família mas esperam exactamente a mesma réplica que as pessoas mecanizadas estão habituadas a dar: “tudo bem, obrigada”. Ora se há alguém que ingenuamente sente algum interesse genuíno da parte do emissor e procura explicar, de facto, como andam as coisas percebe rapidamente que mais valia estar quietinho. O que se passa a seguir é um leve esgar com sucessivos alheamentos e olhares para as redondezas, “hum, hum” do género “vê lá se te calas que já percebi a ideia”.
Não percebo porque perguntam! É que nem estou a falar de casos em que o receptor se desdobra em enredos e aproveita para contar logo meia vida, basta desenvolver um pouco mais do que o normal para o outro começar a fugir a sete pés.
Que raio de gente somos nós? Parece que se simula a preocupação, o interesse, a alegria de ver alguém porque geralmente é isso que se faz, é o que supostamente se deve fazer. Tudo porque fazemos parte de um bolo a que alguém chamou sociedade e há regras de convivência que parece que têm que ser cumpridas. Não passam de meras formalidades completamente vazias de intenção, mas caso as saltarmos somos automaticamente apelidados de antipáticos, bichos-do-mato, egoístas, altivos e anti-sociais. Torna tão mais óbvia a estandardização da massa de que somos feitos, dos comportamentos moldados como se fossemos fabricados em série, em intervalos de vómitos sociais. Soubéssemos, pelo menos, disfarçar melhor.
Não percebo porque perguntam! É que nem estou a falar de casos em que o receptor se desdobra em enredos e aproveita para contar logo meia vida, basta desenvolver um pouco mais do que o normal para o outro começar a fugir a sete pés.
Que raio de gente somos nós? Parece que se simula a preocupação, o interesse, a alegria de ver alguém porque geralmente é isso que se faz, é o que supostamente se deve fazer. Tudo porque fazemos parte de um bolo a que alguém chamou sociedade e há regras de convivência que parece que têm que ser cumpridas. Não passam de meras formalidades completamente vazias de intenção, mas caso as saltarmos somos automaticamente apelidados de antipáticos, bichos-do-mato, egoístas, altivos e anti-sociais. Torna tão mais óbvia a estandardização da massa de que somos feitos, dos comportamentos moldados como se fossemos fabricados em série, em intervalos de vómitos sociais. Soubéssemos, pelo menos, disfarçar melhor.
domingo, 21 de junho de 2009
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