quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Metades... com outro tanto

Hoje vou falar de metades. [Ontem antes de ir dormir pensei em dissertar sobre a minha pancada por casacos, mas por hoje fica adiado, pode ser que me dê para aí outro dia].
No domingo passado alguém me contava que dantes, quando os nossos avós ainda estavam aí para as curvas havia três tipos de copos de vinho. De momento, confesso que só me lembro de um, a famosa ametade. Ora bem, é por aí que vou começar: não me parece que mesmo nessa altura os senhores nossos avós se contentassem só com uma ametade e vai daí, "ó faxavor, é mais uma". E o que é que dá uma ametade mais uma ametade? Ora, nem mais, um copinho de vinho bem servido! Depois vinha a terceira, porque não há duas sem três, e estou em crer que passavam fins de tarde inteiros nisto mas haviam de acabar sempre em número par. Que assim é que é bonito! Depois temos a expressão "uma metade e outro tanto". O outro tanto aqui só faz sentido se for outra metade. Verdade? Senão dizia-se "uma metade e mais um bocadinho", parece-me a mim. E quanto é que dá uma metade mais uma metade? Precisamente: um! Consultando o imenso mundo das receitas [que eu não domino, aviso já] também é fácil perceber que ninguém aconselha a deitar meio ovo na argamassa, mesmo que seja para fazer um bolo bem pequenino. Mais coisas... Comprimidos para dormir. Meio comprido? Eh pá! Se é para dormir, é para dormir, então vai de emborcar um inteiro que é para garantir o sono até de manhã. E, meus amigos, quem é que resiste a não comer o segundo pastel de belém, que é como quem diz a outra metade que nos ficou a faltar na última trinca do primeiro? E depois há o Eça que também deve ter percebido que só com o seu monóculo não se safava, aquilo cheira-me que era só para o estilo.
Portanto, se em nenhum destes casos funcionam as metades, entre eu e tu muito menos. Um dia destes compramos um bilhete inteiro e havemos de viajar por aí de mochila às costas à descoberta de nós.

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